A última terça-feira (17) pode ter sido um simples e típico dia cinza em Curitiba, mas não para quem estava no campo do Curitiba Rugby Clube, na Secretaria do Esporte e do Turismo do Paraná. A partir das 14 horas, começaram a chegar os diversos ônibus com centenas de crianças com suas camisetas coloridas para o Festival Interescolar de Rugby do Projeto VOR – Vivendo O Rugby.

Após a solenidade de abertura e depois de cantarem o Hino Nacional, cerca de 300 alunos de escolas públicas de Curitiba participaram de um circuito de jogos onde todos saíram vencedores. Sim, nos festivais de Rugby todos ganham medalhas.

O esporte, de origem britânica, pode dar a impressão de pertencer a uma elite, mas, na realidade, é exatamente o oposto disso. O Rugby é um dos esportes coletivos mais populares do mundo. Na França, por exemplo, como conta Zeila Zitouni, brasileira residente em Villiers-Saint-Frédéric, a 44 quilômetros de Paris, a garotada joga Rugby no quintal da casa exatamente como se joga futebol aqui no Brasil.

E o foco do Projeto VOR – Vivendo O Rugby, criado há 10 anos pelo Curitiba Rugby e premiado como melhor do mundo em 2014 pela Confederação Internacional é exatamente este: a inclusão social e a educação pelo esporte.

O VOR é um projeto social, educacional e esportivo voltado para escolas e instituições públicas. Hoje atende diretamente 527 alunos de nove instituições.

Segundo Leca Jentzsch, coordenadora do projeto, é importante que as crianças aprendam a prática e os valores do rugby enquanto se divertem. “Mas isso não significa que é só brincadeira, muito pelo contrário: criamos uma metodologia que inclui aulas teóricas e práticas e os alunos são avaliados individualmente fase a fase. Muitos pais e professores nos procuram para contar do progresso das suas crianças em outras áreas – convívio familiar e estudos – depois que as crianças conhecem o rugby. Isso, por si só, já nos motiva muito. É a transformação pelo esporte, é nisso que acreditamos e é por isso que trabalhamos. Mas não para por aí, pois temos a satisfação de ver o futuro dessas crianças já acontecendo, vemos, todos os anos, diversos desses alunos passando a integrar as categorias de base do Curitiba Rugby e as seleções brasileiras. Mas, o grande diferencial é que estamos ajudando a preparar não apenas atletas, mas cidadão capacitados para uma vida profissional além do esporte. Prova disso é que temos parceria com uma universidade, a Uniandrade, para que esses jovens oriundos do projeto consigam chegar ao ensino superior e construir uma vida profissional. ”

Para Danilo Ladentin, gestor de esportes do CADI – Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral de Fazenda Rio Grande, a parceria com o Projeto VOR, iniciada em 2014, já atendeu mais de 200 alunos de 7 a 18 anos na cidade. “Os alunos têm se desenvolvido muito nas áreas de relacionamento, socialização e fortalecimento de vínculos comunitários, muito em razão dos valores que o Rugby tem em suas raízes. Além disso, como consequência das aulas, diversos alunos têm se destacado e desenvolvido seu talento para o jogo, tendo a oportunidade de viajar pelo Brasil fazendo parte da equipe Juvenil do Curitiba Rugby, Seleção Paranaense e já com alunos na Seleção Brasileira. Como organização social, acreditamos tanto nesse esporte que adotamos os valores do RUGBY como pilares Institucionais, trabalhados rotineiramente dentro de todos os projetos que atuamos. “

O clube já está trabalhando no desenvolvimento de novas parcerias de patrocínio para ampliar seu leque de projetos sociais-educacionais-esportivos e dará início, em 2017, ao Projeto QuadTouros – Rugby em Cadeira de Rodas para crianças e adolescentes. Como todos os projetos do clube, as empresas interessadas poderão contribuir de diversas formas, inclusive por renúncia fiscal, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Governo Federal.

Redação e fotografia: Adriana Lopes Olivieri

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